quinta-feira, 18 de março de 2010

Carta

Querida mãe:
Continuo a atravessar o deserto.
Não seria assim tão mau se
Não tivesse esta sede terrível.
Preciso urgentemente de água.
Manda-me uma lágrima das tuas
( se é que ainda as tens)
ou manda-me uma luz, ou uma estrela ou um sinal...
estou completamente perdido
e também para que é que eu não quero estar?
Já nasci assim...
Perdido
E sem razão.
Completamente inútil
E perniciosamente vivo.
Olha Mãe:
Manda-me, antes, a morte!

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