Morre lentamente...
« (...) quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente...
Quem se transforma em escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,
Não se arrisca a vestir uma nova cor,
Não conversa com que não conhece.
Morre lentamente...
Quem evita uma paixão,
Quem prefere o "preto no branco" e os "pingos nos is"
A um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços,
Coração aos tropeços,
Sentimentos.
Morre lentamente...
Quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho ou no amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente...
Quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
Não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
Do que o simples acto de respirar...
Estejamos vivos, então.»
(Pablo Neruda)
sábado, 27 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
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